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Sociedade

Freguesia de Viana do Alentejo

Freguesia de Viana do Alentejo

 

Viana do Alentejoé uma freguesia portuguesa do concelho de Viana do Alentejo, com 97,98 km² de área e 2 828 habitantes (2001). Densidade: 28,9 h/km².

 Património

Igreja Matriz deViana do Alentejo

Castelo de Vianado Alentejo

Capela do Cruzeiroou Ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro

Pelourinho deViana do Alentejo



É a sede do concelho e uma vila de extraordinária importância na história de Portugal. Situada entre Évora e Beja, desempenhou sempre um papel de destaque na defesa estratégica do nosso território.

O seu nome inicial era curioso e denunciava a vizinhança geográfica. Chamava-se, a povoação, Viana-a-par-de-Alvito, mas com o tempo o topónimo foi simplificado.
 

  Povoamento

  O povoamento desta freguesia é muito remoto. O arqueólogo José Leite de Vasconcelos, que estudou o local nos inícios deste século, descobriu uma série de vestígios arqueológicos, que poderão ser atribuídos à época romana. Restos de cerâmica, algumas moedas e mesmo uma necrópole romana com as respectivas inscrições nas cercanias do local onde se encontra hoje o santuário dedicado à Nossa Senhora de Aires.

  Devastada pelas incursões mouriscas, a vila foi repovoada no século XIII por D. Gil Martins e sua mulher, D. Maria Anes. Em 1269, encontramos um documento sobre a vila, em que D. Martinho, bispo de Évora, reconhecia ter direito apenas a um quarto dos dízimos da "igreja de Fochem". Por morte de D. Gil Martins e sua mulher, passou Viana do Alentejo para a posse do seu filho, D. Martim Gil de Sousa, conde de Barcelos.
 

  Foral

  Recebeu foral de D. Dinis, que lançou as bases para a construção do seu castelo, iniciada em 1313, e a elevou à categoria de vila. Fazia parte do seu termo Alvito, Vila Nova, Vila Ruiva e Malcabron. Os seus moradores recebiam mil libras de ajuda para a erecção das muralhas. A extensão do termo de Viana durante o reinado de D. Dinis era muito significativa, já que ia até Vila Alva, na época Malcabron, que se encontra actualmente no concelho de Cuba.
 

    "Uma festa para os olhos"

  Em "Viagem a Portugal", José Saramago faz um roteiro pelas belezas patrimoniais da freguesia: "O viajante gosta de nomes. (...) E por falar de nomes, custa-lhe ao viajante entender porque quis Viana ser banalmente do Alentejo quando, por bairrismo, repudiou o topónimo de Viana-a-par-de-Alvito. Colhesse em época mais recuada esse outro enigmático nome que foi seu primeiro, de Viana de Fochem, e talvez se multiplicassem os visitantes, porventura logo atraídos pelos prestígios de Évora, ao norte, e por Beja, ao sul.

  Não pode Viana, claro está, disputar com as duas capitais, mas entre castelo, cruzeiro, igreja matriz, ermidas e santuário, posto isto tudo dentro e fora da vila de estreitas e brancas ruas, não lhe faltam dons e poderes para acordar amores no viajante. São de pouca altura as muralhas, sinal de escasso empenho bélico ou feliz sentido de proporção. Quem ao castelo chega ao lado sudeste, vê por cima das ameias muçulmanas, o jogo geométrico das obras altas da igreja matriz, os merlões chanfrados, os cubelos agulhados, os contrafortes e arcobotantes: se é possível resumir em poucas palavras, uma festa para os olhos.

  A entrada para o castelo dispõe-se em níveis sucessivos, em patamares. À sombra de umas árvores, refúgio de um sol que queima, estão dois rapazes e duas raparigas: falam de estudos, feitos ou por fazer, vê-se que o caso é sério. O viajante, informado, foi à procura da chave. (...) Lá dentro, a igreja fascina pelo sentido espacial da sua construção: a abóbada de artesãos é suportada por grossíssimos e não apurados pilares octogonais, e as três naves desenvolvem-se em cinco tramos de grande vão, traçados em arcos de volta perfeita. O coro, quer pela liberdade da sua integração no corpo da igreja (absorve o primeiro tramo), não tem o ar distante e reservado que é comum nestas partes da estrutura. Pelo contrário: apetece subir e descer, fazer dele mirante para ofícios e cerimónias. O viajante subiu e desceu, feliz como o um garoto que já fez os exames todos. Quando sai, olha com vagar o portal geminado, riquíssimo de efeitos e motivos decorativos, em seu arco de carena, os atributos régios (escudo das quinas, cruz de Cristo, esfera armilar, camaroeiro), os elementos de folhagens e figuras humanas: aqui meio escondido, este portal manuelino é uma lição perfeita do nosso hibridismo ornamental."

 
 
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